Iniciativa propõe atendimento psicossocial especializado, combate ao racismo, bullying, abuso moral e violência sexual nas escolas públicas e privadas do Distrito Federal.
Uma nova proposta começa a ganhar forma no cenário político do Distrito Federal com a união de duas bandeiras que tradicionalmente caminham separadas: a defesa dos profissionais da educação e a luta por representatividade, igualdade racial e proteção da população negra.
A iniciativa, construída a partir de uma articulação entre Costa Neto e Andreia BomBom, prevê a criação da Política Distrital “Escola Sem Cicatrizes”, voltada à prevenção da violência e à proteção psicológica de estudantes, professores e demais profissionais da educação.
A proposta nasce de uma preocupação objetiva: as marcas provocadas pela violência dentro da escola não desaparecem quando a vítima deixa o ambiente escolar.
Racismo, bullying, cyberbullying, abuso moral, violência psicológica, violência sexual, discriminação e perseguições podem provocar consequências profundas na vida de crianças, adolescentes e trabalhadores da educação.
Uma escola que também cuide da saúde mental
O projeto pretende estabelecer uma política permanente de acolhimento, escuta qualificada, atendimento psicológico, encaminhamento e acompanhamento psicossocial das vítimas.
A ideia é que o Distrito Federal tenha uma estrutura especializada capaz de articular as áreas de educação, saúde, assistência social, direitos humanos, igualdade racial e proteção da criança e do adolescente.
A proposta também prevê atenção especial às situações de violência racial sofridas por crianças, adolescentes e profissionais negros.
O objetivo, segundo a concepção do projeto, é evitar que episódios de racismo sejam tratados simplesmente como “brincadeiras”, conflitos escolares ou problemas disciplinares.
Racismo também deixa cicatrizes
A proposta de Andreia Bom Bom coloca a questão racial no centro da discussão sobre saúde mental dentro das escolas.
A iniciativa parte do entendimento de que situações de humilhação, exclusão, discriminação e violência racial podem atingir diretamente a autoestima e o desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes.
Nesse contexto, o projeto prevê ações específicas de prevenção e enfrentamento ao racismo, além de capacitação de profissionais para reconhecer situações de violência e realizar os encaminhamentos adequados.
A proposta dialoga com a Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares, instituída pela Lei Federal nº 14.819/2024, que prevê articulação entre educação, saúde e assistência social e ações de promoção da saúde mental e prevenção da violência.
Professor também precisa ser protegido
Outro diferencial da iniciativa é incluir os profissionais da educação como público da política.
Professores, orientadores, servidores e outros trabalhadores podem ser vítimas de assédio moral, ameaças, discriminação racial, violência psicológica, constrangimento, perseguição e outras situações capazes de provocar sofrimento emocional.
A proposta pretende criar mecanismos de acolhimento e encaminhamento também para esses profissionais.
A mensagem política é direta:
“Quem cuida da educação também precisa ser cuidado.”
Rede pública e particular
A iniciativa pretende alcançar a comunidade escolar da rede pública e estabelecer mecanismos de articulação com instituições particulares de ensino.
A proposta também está alinhada à legislação federal que estabelece medidas de proteção contra violência em estabelecimentos educacionais públicos e privados.
Entre as ações previstas estão campanhas educativas, formação de profissionais, orientação às famílias, prevenção ao bullying e cyberbullying e criação de protocolos para situações de violência.
Canal de acolhimento
Um dos pontos previstos é a criação de um canal denominado “Escola Sem Cicatrizes”, que poderá receber relatos e oferecer orientação às vítimas, familiares e profissionais.
O atendimento não substituiria órgãos como Conselho Tutelar, Polícia, Ministério Público ou serviços de emergência. A função seria integrar o acolhimento psicológico e psicossocial com a rede de proteção existente.
A proposta também prevê mecanismos para impedir a revitimização — situação em que a pessoa que sofreu violência é obrigada a repetir diversas vezes sua história sem necessidade, ampliando o sofrimento provocado pelo episódio.
Costa Neto e Andreia BomBom: duas pautas, uma proposta
Politicamente, a iniciativa procura aproximar duas agendas.
De um lado, Costa Neto, ligado à defesa dos trabalhadores e dos profissionais da educação.
Do outro, Andreia BomBom, que vem construindo sua identidade política em torno da educação, representatividade e defesa de oportunidades para a população negra.
A união dessas pautas resulta em uma proposta que vai além do debate racial ou exclusivamente educacional.
É uma discussão sobre saúde mental, proteção, dignidade e segurança dentro das escolas.
“Nenhuma criança deve carregar uma dor que ninguém percebeu”
O conceito que sustenta a iniciativa pode ser resumido em uma frase:
“Escola deve formar. Escola deve acolher. Escola deve proteger.”
A proposta ainda deverá passar pelas avaliações técnicas e jurídicas necessárias antes de eventual apresentação formal, inclusive para adequação à competência legislativa e à estrutura administrativa do Distrito Federal.
Mas a mensagem política já está definida.
Costa Neto e Andreia BomBom querem colocar uma questão no centro da agenda pública: quem protege emocionalmente aqueles que sofrem violência dentro da escola?
O “Escola Sem Cicatrizes” surge justamente para responder a essa pergunta.


